Faz muito tempo que não sinto vontade de falar de mim. Respirei fundo, espantei o sono e o cansaço, esqueci dos trabalhos e deveres e escolhi a melhor foto pra falar da pessoa menos interessante que conheço. Durante toda a sua vida, ela tentou parecer alguém mais confiante, mais destacável. Fingiu tantas vezes não se importar que já não sabe mais com o que se importa ou não. É de sagitário com ascendente em sagitário. Por mais que queira não consegue mascarar-se de modo algum. É duplamente impulsiva e insegura. Viveu poucos anos ainda, namorou pouco, beijou pouco, mas já sofreu por amor. Vivenciou cenas que preferia nunca ter vivenciado. Desejou alguém que nunca quis ter desejado, perdoou alguém que nunca deveria ter sido perdoado. E por outro lado, culpa-se por não querer perdoar outro alguém que a magoou. Dezesseis anos é tempo de menos quando se fala de amor – amor de todas as maneiras. É tempo de menos pra nunca mais querer olhar na cara de alguém, considerar-se órfã de pai mesmo não sendo e saber que tem um irmão sem desejar conhecê-lo. Ela tenta não pensar muito nos valores que aprendeu ao pensar nessas coisas, porque não gosta muito de se arrepender. Aliás, arrependeu-se de milhares de coisas ao longo de sua vida. Tem medo da maioria das pessoas. Tem medo da maioria dos animais, exceto gatos. Ela gosta de gatos. Teria um se pudesse.
Ela morreria se estivesse condenada a não poder mais escrever nada em sua vida, e provavelmente se sai melhor escrevendo do que falando. Preciso de um parágrafo especial pra isso porque é uma coisa que tem um espaço especial na vida dela. Ela odeia ler coisas antigas que escreveu, porque sente-se envergonhada. Em geral escreve romances regados de suspense, mas acha que poderia inventar qualquer coisa. Seu namorado é a pessoa que mais lhe incentiva a escrever e esse é um dos infinitos motivos pelos quais ela o ama. Já tentou escrever uma história envolvendo pessoas famosas e o pessoal do colégio. Foi uma história incrível enquanto durou e ela sente saudades. Admite que o maior motivo por ela tê-la escrito foi que sentia-se muito isolada dos seus colegas e que queria um pouco de popularidade, o que conseguiu brevemente. Não sabe direito por que parou, mas lhe dá crises de nostalgia reler as partes que escreveu. Pensa em um dia refazê-la. Pensa em nunca parar de escrever, e quem sabe um dia publicar um livro. Não é uma ideia distante.
Ela não vê a hora de ficar maior de idade e odeia quando as pessoas lhe dizem o quanto parece mais velha. Não gosta que fofoquem sobre sua vida mas sabe que o fazem. É uma garota tão comum quanto pode ser: vive de TPM e raramente sofre de cólicas; queria mudar o cabelo todos os dias e não gosta de cortá-lo muito curto. Passa mal frequentemente desde que entrou na adolescência e fica triste a ponto de chorar quando está doente – tanto que já acharam mais de uma vez que estava grávida. Não sabe quantos litros de lágrimas derramou, mas sabe que foram muitos. Odeia chorar, mas sempre está previamente encaminhada ao pranto, em qualquer situação. Já chorou tanto que ficou com dor de cabeça. Solta lágrimas nas horas mais inconvenientes. Precisa fazer uma tatuagem e conhecer outro país antes de morrer. Não tem uma cor preferida definida, simplesmente gosta de cor.
Ela gosta que a chamem de ‘Bu’ porque nunca havia tido um apelido carinhoso que realmente pegasse. Ela pretende mesmo casar-se com seu primeiro e atual namorado, e não pretende nunca mais falar sobre seu relacionamento na frente dos seus amigos, porque eles não a apoiam incondicionalmente e têm um pouco de preconceito. Pra não sair brigando com todo mundo, ela decidiu recentemente não compartilhar nada com ninguém, e acha que isso é realmente uma pena. Está quase fazendo dois anos de namoro e nunca foi tão amada e feliz.
Acho que já disse quase tudo sobre mim, o pelo menos quase tudo que me lembro. Demorou dias pra esse texto ficar pronto e, quando olhei o word hoje, percebi que ainda não havia um final. Não estou com muita criatividade no momento e quero postar isso logo. Vou deixar assim por enquanto, minha vida ainda não acabou.

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